chega de saudades…

Posted in antonio carlos jobim, from the heart..., vinicius de moraes, yo-yo ma on July 18, 2010 by gilrang

uma flauta, um violão, um cavaquinho… quem gosta da intimidade desses instrumentos sabe bem que os sentimentos falam mais alto quando eles se unem para tocar um choro. pixinguinha juntou a eles o clarinete e ernesto nazareth, primeiro, e césar camargo mariano, mais tarde, acrescentaram o piano. tom jobim costumava usá-los todos nas interpretações das suas músicas, todas elas repletas de intimidade. mas foi preciso aparecer por aqui um chinês nascido em paris para que nossa música chegasse a um grau mais alto naquela nostalgia alegre (já dizia noel: “…sambar é chorar de alegria, é sorrir de nostalgia, dentro da melodia…”) de que a alma, este estranho sentimento que nos faz vibrar com os primeiros acordes de um choro, tanto se regozija…. yo-yo ma trouxe com ele seu cello para deixá-lo definitivamente no meio daqueles instrumentos dos quais nossa boa música não pode prescindir. pelo tom grave do seu choro, o cello carrega em si a intimidade que faz da nossa música um misto de alegrias e tristezas que formam um sentimento indescritível de prazer e dor. herdamos isto da alma portuguesa que nos colonizou e dos cantos dos negros que embalavam nossas noites com a saudade da sua terra.

mas, dizem, uma imagem vale mais que mil palavras. assim, trago para voces uma das primeiras músicas da bossa nova, de tom e vinicius, cantada, então, por joão gilberto e, aqui, interpretada por yo-yo ma e rosa passos, numa apresentação em taipei, taiwan. com esta chega de saudades presto uma homenagem aos amigos que gostam da cadência triste do cello, simulada aqui por um allegro ma non troppo, e aproveito para mandar um recado àqueles tantos que me deixam saudades, mas fingem que desapareceram da minha vida… (eles sabem quem são)

chega de saudade
vai, minha tristeza e diz a ela que
sem ela não pode ser…
diz-lhe numa prece que ela regresse,
porque eu não posso mais sofrer…

chega de saudade, a realidade é que
sem ela não há paz, não há beleza,
é só tristeza e a melancolia
que não sai de mim, não sai de mim, não sai….

mas, se ela voltar, se ela voltar,
que coisa linda, que coisa louca!..
pois há menos peixinhos a nadar no mar
do que os beijinhos que eu darei na sua boca…

dentro dos meus braços os abraços
hão de ser milhões de abraços,
apertado assim, colado assim, calado assim,
abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim,

que é p’ra acabar com este negócio
de voce viver sem mim,
não quero mais esse negócio
de viver longe de mim,
vamos deixar desse negócio
de viver, viver assim…
(Tom Jobim & Vinicius de Moraes)

quero-te assim…

Posted in from the heart..., the inner soul, tito madi on April 20, 2010 by gilrang

o município paulista de pirajuí viu nascer, em 1929, o menino chauki maddi, descendente de imigrantes libaneses que lá se estabeleceram. de família de músicos, o menino chauki começou uma carreira artística aos dez anos, apresentando-se em festas da sua escola. na década de quarenta, chauki começou a cantar e organizar as festas onde se apresentava. depois, foi para são paulo, capital, e, em seguida, para o rio de janeiro, quando e onde começavam a surgir os primeiros ensaios do que mais tarde seria a bossa nova. cantor e compositor, chauki trocou seu nome para tito madi e dele são músicas como chove lá forabalanço zona sulcansei de ilusõesnão diga não e outras de muito sucesso. considerado um cantor romântico, fez parcerias com maysaelizeth cardosonora neysilvinha telles, além de se apresentar em dupla com agostinho dos santos, o poetinha vinicius de moraesribamar, gravando inúmeras músicas também romãnticas de tom jobimdolores duranantonio mariajohnny alf, de forma que não é possível se falar em bossa nova sem falar em tito madi.

aqui, a inspiração de tito madi se junta à interpretação de lisa ono, cantora brasileira que mora em tokyo, onde vive desde os dez anos de idade, e no rio de janeiro. de voz cativante, que lembra as primeiras cantoras da bossa nova, lisa mostra na televisão japonesa um pouco daquilo que é sucesso hoje no japão: a bossa nova dos anos 60!…

quero-te assim

quero todo teu olhar no meu,
quero todo teu amor pra mim,
quero ser todinho teu, enfim,
fazer feliz e ser feliz…
quero estar contigo a dançar,
com tua mão acariciando a mim,
o meu rosto encostadinho ao teu
assim… assim… assim…

e, depois, se entre nos houver,
a distancia a nos separar,
quero que o teu pensamento vá
me procurar… me procurar…
eu também estarei pensando em ti,
com o meu amor que Deus mandou, enfim,
deixa-me abraçar-te agora, assim,
assim, assim, assim…

(Tito Madi)

Posted in from the heart... on April 13, 2010 by gilrang


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the real you…

Posted in from the heart..., poetry on January 28, 2010 by gilrang

the real you

from "alice in wonderland", by tim burton.

existe um lugar onde vou
buscar a memória de um tempo
em que eu encontrei
um pouco de alegria,
um pouco de felicidade…

é nesse lugar que eu posso
recordar os momentos
de intensa satisfação,
de uma amizade imorredoura,
de um sentimento indescritível…

lá, eu revejo a tua imagem
entre areias e montanhas,
entre folhas mortas e o mar,
sorrindo como uma menina,
tranquila como uma mulher…

a este lugar chamaste
the real me…
e, de fato, tu lá estás em verdade,
pois foi lá que te conheci inteira,
foi lá que aprendi o teu rosto…

agora, que não nos vemos mais
com a intensidade daquele tempo,
sempre vou até lá te olhar,
para lembrar do que me deste,
para lembrar daquela felicidade…

choro bandido…

Posted in from the heart... on December 25, 2009 by gilrang

choro bandido

mesmo que os cantores sejam falsos como eu,
serão bonitas, não importa, são bonitas as canções…
mesmo miseráveis os poetas, os seus versos serão bons…
mesmo porque as notas eram surdas, quando um deus sonso e ladrão
fez das tripas a primeira lira que animou todos os sons…
e daí nasceram as baladas e os arroubos de bandidos, como eu,
cantando assim: você nasceu para mim! você nasceu para mim!

mesmo que você feche os ouvidos e as janelas do vestido,
minha musa, vai cair em tentação,
mesmo porque estou falando grego com sua imaginação…
mesmo que você fuja de mim por labirintos e alçapões,
saiba que os poetas, como os cegos, podem ver na escuridão…
e eis que, menos sábios do que antes, os seus lábios ofegantes
hão de se entregar assim: me leve até o fim! me leve até o fim!

mesmo que os romances sejam falsos como o nosso,
são bonitas, não importa, são bonitas as canções…
mesmo sendo errados os amantes, seus amores serão bons…

(Edu Lobo & Francisco Buarque)

fábula antiga…

Posted in antonio feijó, from the heart..., poetry on September 9, 2009 by gilrang

este post foi publicado em 2007 e eu nem lembrava mais dele quando um comentário veio reavivá-lo… decidi, então, republicá-lo. aqui vai…

fábula antiga

no principio do mundo o Amor não era cego;
via mesmo através da escuridão cerrada
com pupilas de Lynce em olhos de Morcego.

mas um dia, brincando, a Demência, irritada,
num ímpeto de fúria, os seus olhos vazou;
foi a Demência logo às feras condemnada.

mas Júpiter, sorrindo, a pena commutou.
a Demência ficou apenas obrigada
a acompanhar o Amor, visto que ella o cegou,

como um pobre que leva um cego pela estrada.
unidos, desde então, por invisiveis laços,
quando o Amor emprehende a mais simples jornada,
vae a Demência adeante a conduzir-lhe os passos.

(António Feijó)

i get along without you very well…

Posted in chet baker, from the heart... on September 1, 2009 by gilrang

chet baker sings

i get along without you very well,
of course I do…
except when soft rains fall
and drip from leaves, then i recall
the thrill of being sheltered in your arms,
of course, i do,
but i get along without you very well…

i’ve forgotten you just like i should,
of course i have…
except to hear your name,
or someone’s laugh that is the same,
but i’ve forgotten you just like i should…

what a guy!… what a fool am i!…
to think my breaking heart could kid the moon
what’s in store? should i phone once more?
no, it’s best that i stick to my tune…

i get along without you very well,
of course i do…
except, perhaps, in spring,
but i should never think of spring,
for that would surely break my heart in two…

(Hoagy Carmichael)