the real you…

the real you

from "alice in wonderland", by tim burton.

existe um lugar onde vou
buscar a memória de um tempo
em que eu encontrei
um pouco de alegria,
um pouco de felicidade…

é nesse lugar que eu posso
recordar os momentos
de intensa satisfação,
de uma amizade imorredoura,
de um sentimento indescritível…

lá, eu revejo a tua imagem
entre areias e montanhas,
entre folhas mortas e o mar,
sorrindo como uma menina,
tranquila como uma mulher…

a este lugar chamaste
the real me…
e, de fato, tu lá estás em verdade,
pois foi lá que te conheci inteira,
foi lá que aprendi o teu rosto…

agora, que não nos vemos mais
com a intensidade daquele tempo,
sempre vou até lá te olhar,
para lembrar do que me deste,
para lembrar daquela felicidade…

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fábula antiga…

este post foi publicado em 2007 e eu nem lembrava mais dele quando um comentário veio reavivá-lo… decidi, então, republicá-lo. aqui vai…

fábula antiga

no principio do mundo o Amor não era cego;
via mesmo através da escuridão cerrada
com pupilas de Lynce em olhos de Morcego.

mas um dia, brincando, a Demência, irritada,
num ímpeto de fúria, os seus olhos vazou;
foi a Demência logo às feras condemnada.

mas Júpiter, sorrindo, a pena commutou.
a Demência ficou apenas obrigada
a acompanhar o Amor, visto que ella o cegou,

como um pobre que leva um cego pela estrada.
unidos, desde então, por invisiveis laços,
quando o Amor emprehende a mais simples jornada,
vae a Demência adeante a conduzir-lhe os passos.

(António Feijó)

whispered by the wind that blows…

rest, my dear, till morning comes….
rest until the night becomes
the only time we would be part,
the only sad hour in thy heart.

dream, my dear, till dawn begins,
dream until the morning winds
bring to you the warming blow
which left my heart not long ago…

and you, awake, will finally hear
the words i´ve carefully found
to say you are my dear.

and not everyone knows
to hold inside the feeling
whispered by the wind that blows.

(may/22/2009)

the jazz singers…

chegou a vez de falar de um novo poeta de cymru, região situada a sudoeste do reino unido também conhecida como país de gales. dafydd john pritchard e a poesia galêsa me foram apresentados recentemente e voces verão algumas destas novas descobertas em breve. pritchard foi criado em nant peris, arfon, e é poeta conhecido em seu país. o poema e a tradução seguem abaixo.

Y gantores jazz

Mae teid sy’n llawn o seidar,
a sŵn y byd sy’n y bar;
criwiau unnos yn cronni
a’u gwg rhwng y mwg a mi,
criwiau byddar llawn siarad
yn mynnu iaith i’w mwynhad.
Ond o’r llwyfan bychan bach
daw alaw sy’n dawelach
na stŵr y siarad cwrw,
daw ’na iaith i’w datod nhw.
Anadl o iaith, a merch dlos
drwy’r mwg a’r drymiau agos
yn un syndod o nodau’n
gwaedu cân â’i llygaid cau.
Mae’i gwallt yn hir gan hiraeth,
nodau’r hwyr yn don ar draeth,
a gwedd wen ei gwddw hi
yn dristwch ewyn drosti;
sŵn graean lond ei chanu
a marw dau’n y môr du.
I mi, er hyn, y mae’r haf
dan haul y nodyn olaf.

(Dafydd John Pritchard)

the jazz singers

a tide brimming with cider
noise of the world nestles in the bar
one-night crowds gathering
their frowns twixt the smoke and i
deaf crowds full of talk
insisting a language to their pleasure.
but from the tiny stage
comes a melody that’s quieter
than the braying of the beer crew,
comes a language to unravel them.
a breath of language, a pretty girl
through the smoke and the drums
one wonder of notes
bleeding song with eyes closed.
her hair is long with longing,
notes are waves on the sand,
the pale yoke of her throat
a sad foam over her;
gravel sound fills her song
of two deaths in the black sea.
to me, despite this, the summer
lies beneath the sun of her song.

je suis comme le roi d’un pays pluvieux…

je suis comme le roi d’un pays pluvieux,
riche, mais impuissant, jeune et pourtant très vieux,
qui, de ses précepteurs méprisant les courbettes,
s’ennuie avec ses chiens comme avec d’autres bêtes.
rien ne peut l’égayer, ni gibier, ni faucon,
ni son peuple mourant en face du balcon.
du bouffon favori la grotesque ballade
ne distrait plus le front de ce cruel malade;
son lit fleurdelisé se transforme en tombeau,
et les dames d’atour, pour qui tout prince est beau,
ne savent plus trouver d’impudique toilette
pour tirer un souris de ce jeune squelette.
le savant qui lui fait de l’or n’a jamais pu
de son être extirper l’élément corrompu,
et dans ces bains de sang qui des romains nous viennent,
et dont sur leurs vieux jours les puissants se souviennent,
il n’a su réchauffer ce cadavre hébété
où coule au lieu de sang l’eau verte du Léthé.

(Charles Baudelaire)

camões – sonetos – xix…

alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.

se lá no assento Etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente,
que já nos olhos meus tão puro viste.

e se vires que pode merecer-te
algũa cousa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,

roga a deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo de meus olhos te levou.

(Luis de Camões)