leve…

não me leve a mal,
me leve à toa, pela última vez,
a um quiosque, ao planetário,
ao cais do porto, ao paço…

o meu coração, meu coração,
meu coração parece que perde um pedaço, mas não…
me leve a sério!…
passou este verão,
outros passarão,
eu passo…

não se atire do terraço,
não arranque minha cabeça
da sua cortiça.
não beba muita cachaça,
não se esqueça depressa de mim, sim?

pense que eu cheguei de leve,
machuquei você de leve
e me retirei com pés de lã…
sei que o seu caminho, amanhã,
será um caminho bom,
mas não me leve…

não me leve a mal,
me leve apenas para andar por aí,
na lagoa, no cemitério,
na areia, no mormaço…

o meu coração, meu coração,
meu coração parece que perde um pedaço, mas não…
me leve a sério!…
passou este verão,
outros passarão,
eu passo….

não se atire do terraço,
não arranque minha cabeça
da sua cortiça…
não beba muita cachaça,
não se esqueça depressa de mim, sim?

pense como eu cheguei de leve,
machuquei você de leve
e me retirei com pés de lã…
sei que o seu caminho, amanhã,
será tudo de bom,
mas não me leve…

o meu coração, meu coração,
meu coração parece que perde um pedaço, mas não…
me leve a sério!…
passou este verão,
outros passarão,
eu passo…

(Chico Buarque)

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