Archive for October, 2008

amanhã…

Posted in from the heart..., poetry on October 26, 2008 by gilrang

amanhã,
não ouviremos a tua voz,
nem sentiremos o teu calor.
mas para sempre ficarão em nós
os teus zelos e cairá sobre nós
a tua luz…

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tua mesa…

Posted in from the heart..., poetry on October 26, 2008 by gilrang


as tuas coisas estão sobre a tua mesa.
os teus livros, os teus escritos, os teus detalhes.
só não encontro a ti,
só não vejo o dono de tudo isto.
mas sinto a tua ausência em tudo mais que vejo
e, em meio ao quarto,
vejo aquela luz que sempre nos iluminou,
sinto o calor da mão que nos afagou
e ouço a voz que sempre nos amparava.

seguiremos agora, sem a tua presença,
herdeiros da tua ausência,
até que sejamos nós a deixar as nossas marcas
para aqueles a quem nos dedicamos,
para perpertuar-te nos pensamentos deles,
para lhes dar a luz e o calor que nos deixaste,
como tu perpetuaste aqueles de quem herdaste
tudo o que foste para nós.

l´automne…

Posted in alphonse de lamartine, from the heart..., poetry on October 21, 2008 by gilrang

lamartine

l’automne

salut! bois couronnés d’un reste de verdure!
feuillages jaunissants sur les gazons épars!
salut, derniers beaux jours! le deuil de la nature
convient à la douleur et plaît à mes regards!

je suis d’un pas rêveur le sentier solitaire,
j’aime à revoir encor, pour la dernière fois,
ce soleil pâlissant, dont la faible lumière
perce à peine à mes pieds l’obscurité des bois!

oui, dans ces jours d’automne où la nature expire,
a ses regards voilés, je trouve plus d’attraits,
c’est l’adieu d’un ami, c’est le dernier sourire
des lèvres que la mort va fermer pour jamais!

ainsi, prêt à quitter l’horizon de la vie,
pleurant de mes longs jours l’espoir évanoui,
je me retourne encore, et d’un regard d’envie
je contemple ses biens dont je n’ai pas joui!

terre, soleil, vallons, belle et douce nature,
je vous dois une larme aux bords de mon tombeau;
l’air est si parfumé ! la lumière est si pure!
aux regards d’un mourant le soleil est si beau!

je voudrais maintenant vider jusqu’à la lie
ce calice mêlé de nectar et de fiel!
su fond de cette coupe où je buvais la vie,
peut-être restait-il une goutte de miel?

peut-être l’avenir me gardait-il encore
un retour de bonheur dont l’espoir est perdu?
peut-être dans la foule, une âme que j’ignore
aurait compris mon âme, et m’aurait répondu?…

la fleur tombe en livrant ses parfums au zéphire;
a la vie, au soleil, ce sont là ses adieux;
moi, je meurs; et mon âme, au moment qu’elle expire,
s’exhale comme un son triste et mélodieux.

(Alphonse de Lamartine)

esperar…

Posted in from the heart..., j.g. de araújo jorge, poetry on October 18, 2008 by gilrang

quanta gente há que sofre o mal sem cura
de uma infinita e vã desesperança,
condenada a viver só da lembrança
sem direito a esperar qualquer ventura!…

e eu a chamar de angústia e de amargura
esta minha saudade ingênua e mansa
que faz com que me sinta um pouco criança,
só porque a espero com maior ternura!…

e eu a dizer que a minha vida é má…
feliz é quem espera um bem que alcança
e eu sou feliz porque ela voltará…

voltará – pressurosa e comovida –
ah! poder esperar tendo esperança
é a mais doce esperança desta vida!

(J.G. de Araújo Jorge)

reinvenção…

Posted in cecília meirelles, from the heart..., poetry on October 11, 2008 by gilrang


aguardando a volta

a vida só é possível
reinventada.

anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas…
ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo… – mais nada.

mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
projeto-me por espaços
cheios da tua figura.
tudo mentira! mentira
da lua, na noite escura.

não te encontro, não te alcanço…
só – no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
só – na treva,
fico: recebida e dada.

porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

(Cecília Meirelles)

mensagem…

Posted in from the heart..., olegário mariano, poetry on October 3, 2008 by gilrang

olegário mariano carneiro da cunha nasceu na cidade de recife, pernambuco, a 24/mar/1889. aos 22 anos estreou na vida literária com angelus. simbolista, pegou o movimento em seu final. trabalhou na diplomacia e foi deputado da assembléia constituinte da Carta de 1934. na academia brasileira de letras, ocupou a cadeira de no. 22. faleceu no rio de janeiro a 28/nov/1958.

mensagem

na última nuvem, quando morre o dia,
mando-te um sopro do meu pensamento
e vou seguindo a nuvem fugidia
nas linhas curvas do seu movimento.

cai a noite e com ela mais se amplia
o horror deste infinito isolamento
o vento grita pela noite fria
mas nada exprime a longa voz do vento.

nada dizem as folhas da ramada
não mais me encanta o eterno gorgolejo
da água que corre… a noite não diz nada.

surge uma estrela e eu sinto, ao surpreendê-la
que mandas a mensagem do teu beijo
nessa pequena e solitária estrela.

(Olegário Mariano)