vandalismo…

augusto dos anjos

foi no engenho do pau d´arco, na paraíba, em 1884, que nasceu augusto dos anjos. poeta simbolista do lúgubre, cantou, em proparoxítonas e sonetos vários, a morte e as desgraças, as suas e as da humanidade. nem por isto devemos considerá-lo um maldito. extremamente culto, aos vinte e seis anos, casado, chegou ao rio de janeiro em busca do reconhecimento. o poeta morreu aos trinta anos, em 1914, acredita-se que de tuberculose. embora lhe tenha sido a vida tão curta, escreveu muitos versos em periódicos. seu único livro, publicado com a ajuda de amigos em 1912, intitula-se eu e outras poesias. é dele que retiro vandalismo….

meu coração tem catedrais imensas,
templos de priscas e longínquas datas,
onde um nome de amor, em serenatas,
canta a alegria virginal das crenças.

na ogiva fúlgida e nas colunatas
vertem lustrais irradiações intensas
cintilações de lâmpadas suspensas
e as ametistas e os florais e as pratas.

como os velhos Templários medievais
entrei um dia nessas catedrais
e nesses templos claros e risonhos…

e erguendo os gládios e brandindo as hastas,
no desespero dos iconoclastas,
quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

(Augusto dos Anjos)

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