Archive for March, 2008

fraqueza…

Posted in from the heart..., j.g. de araújo jorge, poetry on March 26, 2008 by gilrang

espero-te… e sei bem que eu só que te espero…
aqui me tens… constante e eterna é a expectativa!
por que hei de ser assim sempre ingênuo e sincero
por mais que experiência eu tenha, e a vida eu viva?

chegarás… e terás uma resposta esquiva
ao que te perguntar… e eu que tanto te quero
renderei novamente a minha alma cativa,
enquanto sorrirás feliz… e eu desespero…

há um imenso poder nessa tua humildade,
e esse teu ar de mansa ternura e meiguice
estraçalha aos teus pés toda a minha vontade…

que fazer? hei de sempre perdoar o que fazes…
e se choras, nem sei… esquecendo o que disse,
sou eu que enxugo o pranto e ainda proponho as pazes!

(J.G. de Araújo Jorge)

esfinge…

Posted in from the heart..., j.g. de araújo jorge, poetry on March 26, 2008 by gilrang

tens no branco da face a palidez marmórea
das estátuas sem vida e dos corpos sem sangue,
e no aire do teu porte, suavemente langue,
há uma grande tristeza estranha e merencória…

faz noite na tua alma – e nessa noite existe
uma luz que se esvaia… um sombrio luar,
-clareando vagamente o teu mortiço olhar…
– velando a tua vida imensamente triste…

se perdeste um amor… se sofreste talvez,
não procures lembrar o que ficou distante
– o que o mundo roubou, e o destino desfez….

que mistério reténs?… Vem ser feliz comigo….
far-te-ei amar de novo, e hás de ver triunfante
meu amor apagando o teu amor antigo…

(J.G. de Araújo Jorge)

i loved you once in silence…

Posted in alan jay lerner, frederic loewe, from the heart... on March 20, 2008 by gilrang

cameloto castelo de camelot, em Idílios do rei, Gustave Doré (1866)

segundo a lenda, camelot foi um castelo em uma terra encantada, onde habitavam o rei arthur e seus cavaleiros da távola redonda. arthur era invencível, pois tinha a seu lado, além dos intrépidos cavaleiros, o mago merlin que o auxiliava na administração do reino. camelot se tornou, desde então, um ideal de bravura, justeza e virtude.

tanta felicidade assim, certamente que despertou a inveja e a cobiça de alguns, mas todos os que tentaram subtrair camelot de seu rei foram derrotados. um certo dia, passando pelo castelo, o cavaleiro francês lancelot du lac mostrou-se um valoroso guerreiro, derrotando, um a um, os cavaleiros da távola, logo juntando-se a eles para derrotar os inimigos do rei. arthur tornou-se tão grato a lancelot que o indicou como cavaleiro do reino, dando-lhe o título de sir, e como protetor de guenevére, a rainha. lógico que o relacionamento mais próximo de arthur e guenevére com sir lancelot se tornou motivo de ciúmes por parte dos demais cavaleiros da távola. e essa mesma proximidade de guenevére e lancelot fez com que os dois tombassem diante de um sentimento maior que surgiu entre eles.

na peça de teatro intitulada camelot (1960), escrita por alan jay lerner e frederic loewe, a revelação do sentimento entre guenevére e lancelot se faz completa durante a música i loved you once in silence. o que se ouve é que ambos se mostram surpresos e aliviados pela descoberta da atração mútua e, ao mesmo tempo, angustiados pela devoção, também mútua, que ambos têm por arthur.

no vídeo abaixo, a atriz jennifer hope, interpretando guenevére, e o ator chris leidenfrost, no papel de sir lancelot du lac, representam a parte do segundo ato da peça em que ocorre tal revelação cercada pela angústia…

i loved you once in silence
and misery was all i knew,
trying so to keep my love from showing,
all the while not knowing you loved me too…

yes, you loved me in lonesome silence,
your heart filled with dark despair,
knowing love would flame in you forever
and i’d never, never know the flame was there…

then, one day, we cast away our secret longing,
the raging tide we held inside would hold no more…

the silence at last was broken,
we flung wide our prison door,
every joyous word of love was spoken
and now there’s twice as much grief,
twice the strain for us,
twice the despair,
twice the pain for us,
as we had known before…

(Alan Jay Lerner & Frederic Loewe)

stardust….

Posted in hoagy carmichael, mitchell parish, nat king cole on March 10, 2008 by gilrang

nat king cole tornou essa linda canção conhecida. ei-lo aqui interpretando-a magistralmente.

and now the purple dusk of twilight time
steals across the meadows of my heart,
high up in the sky the little stars climb,
always reminding me that were apart…

you wander down the lane and far away,
leaving me a song that will not die…
love is now the stardust of yesterday,
the music of the years gone by…

sometimes, i wonder why i spend
the lonely night dreaming of a song,
the melody haunts my reverie
and i am once again with you,
when our love was new
and each kiss an inspiration,
but that was long ago!…
now, my consolation
is in the stardust of a song…

beside a garden wall,
when stars are bright,
you are in my arms,
the nightingale tells his fairy tale,
a paradise where roses bloom
though i dream in vain,
in my heart it will remain
my stardust melody,
the memory of love´s refrain….

(Mitchell Parish & Hoagy Carmichael)

lembranças…

Posted in antoine de saint-exupéry, from the heart... on March 4, 2008 by gilrang

petit-prince.jpgquando eu disse outro dia que estamos fadados a nos repetir, eu não disse, porém, que a repetição se dá por falta de assunto, mas por que os assuntos são tantos e tão diversos que, vez por outra, algo nos faz lembrar de alguns deles. uns mais que os outros, naturalmente.

foi assim que lendo o blog obscured by clouds eu acabei me recordando de uma estória infantil que me foi contada em passado recente. aparentemente, a estória é despretensiosa, mas possui diálogos muito significativos. apresento, aqui, apenas uma dessas pequenas preciosidades, a qual me traz agradáveis recordações.

…..

what must I do, to tame you?” asked the little prince.you must be very patient,” replied the fox.

first you will sit down at a little distance from me–like that–in the grass. i shall look at you out of the corner of my eye, and you will say nothing. words are the source of misunderstandings. but you will sit a little closer to me, every day . . .

(Antoine de Saint-Exupéry)

luna bianca…

Posted in chiquinha gonzaga, from the heart... on March 2, 2008 by gilrang

lua branca
oh! lua branca, de fulgores e de encanto,
se é verdade que ao amor tu dás abrigo,
vem tirar dos olhos meus o pranto,
ai, vem matar essa paixão que anda comigo.

oh! por quem és, desce do céu, ó lua branca,
essa amargura do meu peito, ó vem e arranca,
dá-me o luar de tua compaixão
oh! vem, por deus, iluminar meu coração.

e quantas vezes lá no céu me aparecias
a brilhar em noite calma e constelada
e, em tua luz, então, me surpreendias
ajoelhado, junto aos pés da minha amada.

ela, a chorar, a soluçar, cheia de pejo,
vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo.
ela partiu, me abandonou assim,
oh! lua branca, por quem és, tem dó de mim…

(Chiquinha Gonzaga)