Archive for February, 2008

sem voce…

Posted in antonio carlos jobim, vinicius de moraes on February 19, 2008 by gilrang

sem você,
sem amor,
é tudo sofrimento,
pois você é o amor
que eu sempre procurei em vão,
você é o que resiste
ao desespero e à solidão,
nada existe e o tempo é triste
sem você…

meu amor, meu amor,
nunca te ausentes de mim,
para que eu viva em paz,
para que eu não sofra mais,
tanta mágoa assim, no mundo
sem você…

(Tom Jobim & Vinicius de Moraes)

insensiblement…

Posted in paul misraski on February 17, 2008 by gilrang

o video de henri salvador, o qual eu postei abaixo, é um tanto longo, pois foi feito pela revista http://www.bossa-mag.com/ e foi tirado de um programa de variedades da televisão francesa. fiquei extasiado com a música de apresentação do video, de paul misraki, intitulada insensiblement e cantada por jean sablon. incessante e inutilmente a procurei no youtube. para os que a apreciaram, como eu, aqui está a letra…

insensiblement

insensiblement, vous vous êtes glissée dans ma vie…
insensiblement, vous vous êtes logée dans mon cœur…
vous étiez pour moi comme une amie, comme une sœur,
nous faisions de l’ironie sur le bonheur…
insensiblement, nous nous sommes tous deux laissés prendre,
insensiblement, tous mes rêves m’ont parlé de vous
nous avons dit des mots tendres et fous
et nous avons vu naître en nous,
insensiblement, insensiblement, l’amour.

frêles propos en l’air, où êtes-vous ?
et tous nos rêves clairs, où êtes-vous , …
nul ne pensait que vos lèvres étaient faites pour nous murmurer :
“mon chéri! ”
et comme nous aurions ri
si quelqu’un nous l’avait dit…
oui, mais …

insensiblement vous vous êtes glissée dans ma vie,
insensiblement vous vous êtes logée dans mon cœur,
j’ai trouvé en vous mieux qu’une amie, mieux qu’une sœur,
nous formons une harmonie, l’accord majeur.
insensiblement nous nous sommes tous deux laissés prendre,
insensiblement je n’ai vu de bonheur que par vous.
nous avons dit des mots tendres et fous,
et nous avons vu naître en nous
insensiblement, insensiblement l’amour.

(Paul Misraki)

dans mon île…

Posted in henri salvador on February 17, 2008 by gilrang

no dia 13 de feveiro último, em paris, deixou-nos henri gabriel salvador. para quem não sabe, salvador não era europeu (como erradamente pensam os que não pensam), mas era francês, pois nasceu em caienne, guiana francesa, em julho de 1917. começou sua vida musical como guitarrista imitando django reinhardt, com quem trabalhou em 1940. sua influência na bossa nova é reconhecida por alguns entendidos em música. seu legado, em geral com músicas de títulos e letras engraçadas, é extenso, incluindo-se juanita banana e outras. durante a segunda guerra mundial, morou no brasil, onde entretinha tropas americanas aquarteladas no nordeste. a música apresentada é de 1957.

dans mon île,
ah! comme on est bien!…
dans mon île
on n’fait jamais rien…
on se dore au soleil
qui nous caresse
et l’on paresse
sans songer à demain…

dans mon île,
ah! comme il fait doux!…
bien tranquille,
près de ma doudou…
sous les grands cocotiers
qui se balancent,
en silence,
nous rêvons de nous.

dans mon île,
un parfum d’amour
se faufile
dès la fin du jour…
elle accourt me tendant
ses bras dociles,
douce et fragile
dans ses plus beaux atours,

ses yeux brillent
et ses cheveux bruns
s’éparpillent
sur le sable fin
et nous jouons au jeu d’adam et eve,
jeu facile
qu’ils nous ont appris,
car mon île c’est le paradis…

(Henri Salvador)

talqualmente…

Posted in tradução on February 10, 2008 by gilrang

talqualmente é um ótimo blog sobre tradução e literatura traduzida (está aí ao lado como leitura diária minha). sua proprietária, residente em terras da coroa inglesa, acaba de assumir um alto posto no global voices e teve a feliz idéia de mapear blogs em português. eu recomendo que todos os meus amigos leitores se cadastrem. para isso, basta acessar o endereço mapeando a lusosfera, seguir os passos que ela fornece e se inserir como um blog lusófono. eu já estou por lá. espero que voces façam o mesmo…

miércoles de cenizas…

Posted in from the heart..., joan maragall i gorina, poetry on February 5, 2008 by gilrang

joan_maragall_1903.jpgnascido em barcelona, no dia 10 de outubro de 1860, joan maragall i gorina foi o quarto filho e único varão de una família de boa situação econômica, dona de uma indústria têxtil, na qual recusou-se a trabalhar. essa recusa se tornou mais ampla e intensa com o passar dos anos, causando problemas com seus familiares que lhe faziam pressão para ter uma vida normal. em 1891, casou-se com clara noble, com quem teve 13 filhos. um grande impulsor das correntes modernistas, colaborou com diversas revistas dedicadas ao modernismo. suas obras principais foram escritas em catalão, identificando-se com um movimento nacionalista tradicional e influenciando o ideário da liga regionalista de catalunya, embora não participasse politicamente de movimentos. esta tendência conservadora se refletiu no seu estilo literário. morreu em Barcelona no dial 20 de dezembro de 1911. é dele o poema miércoles de ceniza, o qual aqui vai nesta quarta-feira de cinzas.

miércoles de ceniza
¡miércoles de ceniza, oh tú que extiendes
tus nubes rosadas
sobre la ciudad de mis pensamientos,
igual que en la otra de calles pobladas!
es en ésta que algún sonriente rayo
del sol de febrero
deja la alegría.
también sonríen mis nubes, cruzadas
por un chorro de poesía.

es como una vuelta eterna al principio,
es la juventud siempre renovada.
de la neblina del mucho pensar
surge una palabra
toda iluminada
con un sentido nuevo: la niebla se deshace,
y el pensamiento toma otra vez fuerza;
un día, esta palabra te tendrá
a ti; también a ti, al verla impresa;
y también a tus ojos atónitos brillará
en ese instante, como recién creada.

seré yo quien entraré traidoramente
en tu casa, cuando menos lo pienses,
y aguardaré allí, en la penumbra
durante días,
hasta que al verte solo
en tu alcoba, recluido en la tristeza,
sobre ti caeré cual chorro de sol
con mi perenne grito juvenil.
me meteré en tus ojos, hasta tu corazón.
mi brillante puñal hasta la entraña
te penetrará, dándote la vida con la muerte.

(Joan Maragall)

soneto de carnaval…

Posted in from the heart..., poetry, vinicius de moraes on February 1, 2008 by gilrang

distante o meu amor, se me afigura
o amor como um patético tormento.
pensar nele é morrer de desventura,
não pensar é matar meu pensamento.

seu mais doce desejo se amargura,
todo o instante perdido é um sofrimento.
cada beijo lembrado uma tortura,
um ciúme do próprio ciumento.

e vivemos partindo, ela de mim
e eu dela, enquanto breves vão-se os anos
para a grande partida que há no fim.

de toda a vida e todo o amor humanos:
mas tranqüila ela sabe, e eu sei tranqüilo
que se um fica o outro parte a redimi-lo.

(Vinícius de Moraes)