Archive for January, 2008

disseste-me (encore)…

Posted in from the heart..., poetry on January 24, 2008 by gilrang

parece-me que estamos fadados a sempre rememorar as nossas lembranças, quando não os erros que cometemos. da mesma forma, acabamos por repetir nossos posts, seja lá por que motivo fôr. quando lancei este blog, minha intenção era que, a cada dia, eu teria algo novo para comentar. nem sempre a nossa vida é assim tão cheia de novidades. nem sempre o mundo se enche de notícias que nos motivem um comentário que seja, uma crítica. dei-me, hoje, então, ao dúbio prazer de rever alguns escritos meus. entre eles, este que aqui vai e que me fez, ao lê-lo, ter vontade de republicá-lo. aos que se incomodam com o passado, peço desculpas, mas não resisti…

disseste-me dos campos de trigo
e da cor dos teus negros cabelos.
disseste-me do infinito e do tempo.
disseste-me de uma dor
e de um pensamento.
disseste-me, pela lágrima,
de um antigo tormento.
disseste-me de outras histórias
recheadas de elementos.
disseste-me dos caprichos,
das cidades, dos teus planos,
de como irias passar os teus últimos anos.
disseste-me da poesia
que cercava o teu dia
e das horas em claro
que passavas a temer.
disseste-me da tua infância
naquela fazenda distante,
onde as tuas lembranças ainda residem.
disseste-me das tuas vitórias
e das tuas derrotas.
disseste-me do sono que te rondava.
disseste-me, com carinho,
da neve caída na grama.
disseste-me da hera que brotava nas paredes,
disseste-me do fim da tua vida,
sem mesmo saberes se morrerás um dia.
disseste-me do beijo que eu jamais te neguei,
mas que também jamais te dei.
disseste-me dos amigos e da tua alegria
que eles notavam quando comigo falavas.
disseste-me da solidão quando estavas sozinha.
disseste-me das tuas festas,
do teu cansaço, dos teus sonhos.
disseste-me, contente, de uma conquista recente.
e te vi cair quando a notícia chegou.
disseste-me que era puro castigo
e que nada mais merecias.
disseste-me das injustiças do mundo.
disseste-me da frieza das decisões.
então, disseste-me que partirias
e eu jamais te veria.
parti antes de ti, pensando poupar-te e a mim,
mas logo vi o meu erro e ouvi-te.
disseste-me dos novos planos,
que eu te abandonei,
quando, na verdade, eu te deixei
por um grande sentimento.
disseste-me coisas imerecidas.
disseste-me que é frio o teu coração.
disseste-me que o amanhã não existe.
disseste-me que a vida termina antes de quatorze anos.

novamente eu parti,
dessa vez silenciosamente.
mas ecoam em meus ouvidos,
refletem-se nos meus olhos molhados
as tuas palavras ditas a mim e só a mim.
(e foi tudo tão breve…)

o que tu não me disseste,
porque tu não sabias,
é que fui eu quem te fez em flor.
fui eu quem cantou tua alma
e só eu te enxerguei por inteira.

hoje, já não me procuras,
mas tu, para mim, és toda a minha lembrança.
seguimos a “trilha menos usada”
e os teus olhos miram, agora,
outros e novos horizontes.
a mim, não dizes mais nada.
são os ventos dos trigais que me trazem
a lembrança dos teus cabelos negros,
e as nuvens que passam que me trazem
as imagens do teu vulto
e do teu sorriso aberto.
não posso ouvir os lamentos do mar
sem lembrar de ti;
tudo acontece exatamente
como tu, da primeira vez, me disseste…

(26/AGO/2007)

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não se perdeu nenhuma coisa em mim…

Posted in from the heart..., poetry, sophia de mello breyner andresen on January 22, 2008 by gilrang

não se perdeu nenhuma coisa em mim.
continuam as noites e os poentes
que escorreram na casa e no jardim,
continuam as vozes diferentes
que intactas no meu ser estão suspensas.
trago o terror e trago a claridade,
e através de todas as presenças
caminho para a única unidade.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

for no one…

Posted in from the heart..., the beatles on January 13, 2008 by gilrang

Paul McCartney

your day breaks, your mind aches,
you find that all the words of kindness linger on,
when she no longer needs you.

she wakes up, she makes up,
she takes her time and doesn’t feel she has to hurry,
she no longer needs you…

and in her eyes you see nothing,
no sign of love behind the tears cried for no one,
a love that should have lasted years…

you want her, you need her
and yet you don’t believe her when she says her love is dead,
you think she needs you…

and in her eyes you see nothing,
no sign of love behind the tears cried for no one,
a love that should have lasted years…

you stay home, she goes out,
she says that long ago she knew someone, but now he’s gone,
she doesn’t need him…

your day breaks, your mind aches,
there will be times when all the things she said will fill your head,
you won’t forget her…

and in her eyes you see nothing,
no sign of love behind the tears cried for no one,
a love that should have lasted years…

(John Lennon & Paul McCartney)

c´est pour t´avoir vue…

Posted in from the heart..., poetry, rainer maria rilke on January 12, 2008 by gilrang

c’est pour t’avoir vue
penchée à la fenêtre ultime,
que j’ai compris, que j’ai bu
tout mon abîme.

en me montrant tes bras
tendus vers la nuit,
tu as fait que, depuis,
ce qui en moi te quitta,
me quitte, me fuit…

ton geste, fut-il la preuve
d’un adieu si grand,
qu’il me changea en vent,
qu’il me versa dans le fleuve ?

(Rainer Maria Rilke)

cet amour…

Posted in from the heart..., jacques prévert, poetry on January 11, 2008 by gilrang

cet amour
si violent
si fragile
si tendre
si désespéré
cet amour
beau comme le jour
et mauvais comme le temps
quand le temps est mauvais
cet amour si vrai
cet amour si beau
si heureux
si joyeux
et si dérisoire
tremblant de peur comme un enfant dans le noir
et si sûr de lui
comme un homme tranquille au millieu de la nuit
cet amour qui faisait peur aux autres
qui les faisait parler
qui les faisait blêmir
cet amour guetté
parce que nous le guettions
traqué blessé piétiné achevé nié oublié
parce que nous l’avons traqué blessé piétiné achevé nié oublié
cet amour tout entier
si vivant encore
et tout ensoleillé
c’est le tien
c’est le mien
celui qui a été
cette chose toujours nouvelle
et qui n’a pas changé
aussi vrai qu’une plante
aussi tremblante qu’un oiseau
aussi chaude aussi vivant que l’été
nous pouvons tous les deux
aller et revenir
nous pouvons oublier
et puis nous rendormir
nous réveiller souffrir vieillir
nous endormir encore
rêver à la mort,
nous éveiller sourire et rire
et rajeunir
notre amour reste là
têtu comme une bourrique
vivant comme le désir
cruel comme la mémoire
bête comme les regrets
tendre comme le souvenir
froid comme le marble
beau comme le jour
fragile comme un enfant
il nous regarde en souriant
et il nous parle sans rien dire
et moi je l’écoute en tremblant
et je crie
je crie pour toi
je crie pour moi
je te supplie
pour toi pour moi et pour tous ceux qui s’aiment
et qui se sont aimés
oui je lui crie
pour toi pour moi et pour tous les autres
que je ne connais pas
reste là
lá où tu es
lá où tu étais autrefois
reste là
ne bouge pas
ne t’en va pas
nous qui sommes aimés
nous t’avons oublié
toi ne nous oublie pas
nous n’avions que toi sur la terre
ne nous laisse pas devenir froids
beaucoup plus loin toujours
et n’importe où
donne-nous signe de vie
beaucoup plus tard au coin d’un bois
dans la forêt de la mémoire
surgis soudain
tends-nous la main
et sauve-nous.

(Jacques Prévert)

começar de novo…

Posted in from the heart..., ivan lins on January 3, 2008 by gilrang


Jane Monheit

começar de novo
e contar comigo,
vai valer a pena
ter amanhecido,
ter me rebelado,
ter me debatido,
ter me machucado,
ter sobrevivido,
ter virado a mesa,
ter me conhecido,
ter virado o barco,
ter me socorrido…

começar de novo
e contar comigo,
vai valer a pena
ter amanhecido
sem as tuas garras,
sempre tão seguras,
sem o teu fantasma,
sem tua moldura,
sem tuas esporas,
sem o teu domínio,
sem tuas escoras,
sem o teu fascínio…

começar de novo
e contar comigo,
vai valer a pena
já ter te esquecido…
começar de novo…

(Ivan Lins / Victor Martins)

se eu podesse desamar…

Posted in from the heart..., pero da ponte, poetry on January 1, 2008 by gilrang

se eu podesse desamar
a quen me sempre desamou,
e podess’ algun mal buscar
a quen mi sempre mal buscou!
assy me vingaria eu,
se eu podesse coyta dar,
a quen mi sempre coyta deu.

mays sol non posso eu enganar
meu coraçon que m’ enganou,
per quanto mi faz desejar
a quen me nunca desejou.
e per esto non dormio eu,
porque non poss’ eu coita dar,
a quen mi sempre coyta deu.

mays rog’ a deus que desampar
a quen mh’ assy desamparou,
ou que podess’ eu destorvar
a quen me sempre destorvou.
e logo dormiria eu,
se eu podesse coyta dar,
a quen mi sempre coyta deu.

vel que ousass’ en preguntar
a quen me nunca preguntou,
per que me fez en ssy cuydar,
poys ela nunca en min cuydou.
e por esto lazero eu,
porque non poss’eu coyta dar,
a quen mi sempre coyta deu.

(Pero da Ponte)