camões – sonetos – xxiii…

cara minha inimiga, em cuja mão
pôs meus contentamentos a ventura,
faltou-te a ti na terra sepultura,
por que me falte a mim consolação.

eternamente as águas lograrão
a tua peregrina formosura:
mas enquanto me a mim a vida dura,
sempre viva em minha alma te acharão.

e, se meus rudos versos podem tanto,
que possam prometer-te longa história
daquele amor tão puro e verdadeiro,

celebrada serás sempre em meu canto:
porque, enquanto no mundo houver memória,
será a minha escritura o teu letreiro.

(Luis de Camões)

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