camões – sonetos – xv…

parece que luis vaz de camões se tornou figura de grande popularidade aqui nesse blog. noto o grande número de vezes em que recebo visitas de gente da brava terra lusitana e, invariavelmente, nesses casos, os posts sobre camões estão sempre a receber um enorme contigente de leitores. em agradecimento a esses abnegados leitores, escolhi um outro soneto camoniano para hoje…

busque Amor novas artes, novo engenho
para matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

olhai de que esperanças me mantenho!
vede que perigosas seguranças!
pois não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

mas conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde;
vem não sei como; e dói não sei porquê.

(Luis de Camões)

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