in memoriam

i
seus poemas desenhavam seu fino hastil,
suas corolas vibrantes como pequeninas violas
(ou era a vibração incessante dos grilos?),
seus poemas floriam na tapeçaria ondulante dos prados,
onde os colhia a mão das eternamente amadas
(as que morreram jovens são eternamente amadas..).

ii
seus poemas,
dentre as páginas de um livro,
apareciam sempre de surpresa,
e era como se a gente descobrisse uma folha seca
um bilhete de outrora
uma dor esquecida
que têm agora o lento e evanescente odor do tempo…

iii
e seus poemas eram, de repente, como uma peça jamais ouvida
que nossos lábios recitavam – ó temerosa delícia!
como se, numa língua desconhecida,
sem querer, falassem
da brevidade
e da
eternidade da vida…

iv
ah, aquela a quem seguiam os versos ondulantes como dóceis panteras
e deixava por todas as coisas o misterioso reflexo
do seu sorriso;
e que na concha de suas mãos, encantada e aflita, recebia
a parte das estrelas perdidas…

v
nem tudo estará perdido
enquanto nossos lábios não esquecerem teu nome: Cecília…

(Mario Quintana)

One Response to “in memoriam…”

  1. Essa música fez parte de um espetáculo chamado Quintana, e fui musicada pelo compositor João Guilherme Ripper. É umas das músicas mais lindas do mundo.

    Beijos doces cristalizados, e um ótimo fim de semana!

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