Archive for October, 2007

alice doesn´t live here anymore…

Posted in from the heart... on October 30, 2007 by gilrang

Alice used to live here in this building. I used to see her everyday with her nice blue eyes and her astonishingly black hair. Alice used to tell me about life, about her past and about her future. Now, Alice doesn´t live here anymore…

I used to watch Alice pass by my window. The songs she used to sing I had never heard before. But I became used to her voice while she was silently singing them. I even tried to sing with her. Now, she doesn´t live here anymore…

The first time I met Alice we were both in a wheat field. Alice was then quite mysterious and she said she was sad to be glad to meet me. Well, that´s Alice!… Once, Alice told me she was happy. And I too became happy by just seeing her happiness. Now, she´s no longer here. She moved away. She went to a better place, an apartment with a view, as she said.

Me, I used to be happier when Alice lived here. We both looked happy at that time. Our conversations used to last the whole day. Our good-byes used to endure the rest of our lives. The days passed like seconds when we were together. Life used to be but a glimpse, a spark in the darkened night. Now,  I confess I´m sad cause Alice doesn´t live here anymore…

Sooner than we had expected, she became bitter and bitter because life, she used to say, is neither fair, nor unfair, but simply life. And I had to agree with her.

I started to lose Alice the day she said all that happiness would not last forever. I cannot say it was Alice who left me. It was me, after all, who went away. I could not stand the idea of losing her for one day and left. I was wrong. I lost my heart and I lost Alice…

Where did Alice go after that? Who knows?!… Who can really say to know where she went?

I still look for Alice. In the streets we used to walk together. Through the glass panes of my windows. In the books we used to exchange. In the music she used to make me hear. In the poems we used to read for each other. But, after searching for her all my life, I know, at last, where Alice did go. Alice is still living within me, in the corners of my soul…

uma simples elegia…

Posted in from the heart..., mario quintana, poetry on October 25, 2007 by gilrang

caminhozinho por onde eu ia andando
e de repente te sumiste,
– o que seria que te aconteceu?
eu sei… o tempo… as ervas más… a vida
não, não foi a morte que acabou contigo;
foi a vida.
ah, nunca a vida fez uma história mais triste
que a de um caminho que se perdeu…

(Mario Quintana)

operação alma…

Posted in from the heart..., mario quintana, poetry on October 18, 2007 by gilrang

há os que fazem materializações…
grande coisa! eu faço desmaterializações.
subjetivações de objetos.
inclusive sorrisos,
como aquele que tu me deste um dia com o mais puro azul dos teus olhos
e nunca mais nos vimos (na verdade, a gente nunca mais se vê…) no entanto,
há muito que ele faz parte de certos estados do céu,
de certos instantes de serena, inexplicável alegria,
assim como um vôo sozinho põe um gesto de adeus na paisagem,
como uma curva de caminho,
anônima,
torna-se às vezes a maior recordação de toda uma volta ao mundo!

(Mario Quintana)

in memoriam

Posted in from the heart..., mario quintana, poetry on October 18, 2007 by gilrang

i
seus poemas desenhavam seu fino hastil,
suas corolas vibrantes como pequeninas violas
(ou era a vibração incessante dos grilos?),
seus poemas floriam na tapeçaria ondulante dos prados,
onde os colhia a mão das eternamente amadas
(as que morreram jovens são eternamente amadas..).

ii
seus poemas,
dentre as páginas de um livro,
apareciam sempre de surpresa,
e era como se a gente descobrisse uma folha seca
um bilhete de outrora
uma dor esquecida
que têm agora o lento e evanescente odor do tempo…

iii
e seus poemas eram, de repente, como uma peça jamais ouvida
que nossos lábios recitavam – ó temerosa delícia!
como se, numa língua desconhecida,
sem querer, falassem
da brevidade
e da
eternidade da vida…

iv
ah, aquela a quem seguiam os versos ondulantes como dóceis panteras
e deixava por todas as coisas o misterioso reflexo
do seu sorriso;
e que na concha de suas mãos, encantada e aflita, recebia
a parte das estrelas perdidas…

v
nem tudo estará perdido
enquanto nossos lábios não esquecerem teu nome: Cecília…

(Mario Quintana)

aquarela de após chuva…

Posted in from the heart..., mario quintana, poetry on October 18, 2007 by gilrang

no peitoril de todas as janelas
há uma flor convalescente…
no céu desenha-se um pálido sorriso..
só o teu nome, que estava quase desmaiado no meu peito,
aviva-se em brasa, como uma cicatriz!

(Mário Quintana)

exile…

Posted in from the heart..., hart crane, poetry on October 6, 2007 by gilrang

toda essa atividade necessária para perpetrar um meme acabou me trazendo lembranças de outros tempos, tempos em que cecília passava ao meu lado boa parte do dia. ela e outros. desse tempo, exilei-me, como exilei-me, também, de outros tantos assuntos que, hoje, a função a que o meu amigo roça me obrigou (carinhosamente, devo confessar) me trouxe de volta, fazendo-me sentir um pouco as sensações vividas outrora.

como eu não me canso de dizer, isto aqui é um blog político. apenas que eu junto o útil ao agradável. transcrever poemas é uma espécie de clamor contra a ignorância que assola esta combalida nação. de filhos imperfeitos, claro, mas filhos seus. quanto menos comentários são feitos em um post, maior é a minha convicção de que meu protesto está surtindo efeito.

e por estar voluntariamente exilado de tempos e assuntos, deixo aqui hart craneum testemunho de que eles nunca me abandonaram. ele vem de um poema de harold hart crane. nascido em ohio, estados unidos, em 1899, hart crane era filho de um abastado industrial do ramo de confeitos. para quem conhece, seu pai foi o inventor das pastilhas life saver. homossexual assumido, tornou-se alcoólatra e terminou por se suicidar, em 1932, por achar que jamais seria feliz em um mundo machista. entretanto, sua lírica o tornou bastante conhecido no meio literário americano. em exile, ele exprime parte da angústia que o levou à morte no golfo do méxico. como sempre, o bom poema não é aquele que diz o que o poeta sentia quando o escreveu, mas o que faz o leitor se sentir como se fosse ele o seu autor… aqui está exile:

my hands have not touched pleasure since your hands, —
no, — nor my lips freed laughter since ‘farewell’,
and with the day, distance again expands
voiceless between us, as an uncoiled shell.

yet, love endures, though starving and alone.
a dove’s wings clung about my heart each night
with surging gentleness, and the blue stone
set in the tryst-ring has but worn more bright.

(Hart Crane)

absence…

Posted in from the heart..., paul verlaine, poetry on October 3, 2007 by gilrang

quinze longs jours encore et plus de six semaines
déjà! certes, parmi les angoisses humaines
la plus dolente angoisse est celle d’être loin.
on s’écrit, on se dit comme on s’aime; on a soin
d’évoquer chaque jour la voix, les yeux, le geste
de l’être en qui l’on mit son bonheur, et l’on reste
des heures à causer tout seul avec l’absent.
mais tout ce que l’on pense et tout ce que l’on sent
et tout ce dont on parle avec l’absent, persiste
a demeurer blafard et fidèlement triste.
oh! l’absence! le moins clément de tous les maux!
se consoler avec des phrases et des mots,
puiser dans l’infini morose des pensées
de quoi vous rafraîchir, espérances lassées,
et n’en rien remonter que de fade et d’amer!
puis voici, pénétrant et froid comme le fer,
plus rapide que les oiseaux et que les balles
et que le vent du sud en mer et ses rafales
et portant sur sa pointe aiguë un fin poison,
voici venir, pareil aux flèches, le soupçon
décoché par le doute impur et lamentable.
est-ce bien vrai? tandis qu’accoudé sur ma table
je lis sa lettre avec des larmes dans les yeux,
sa lettre, où s’étale un aveu délicieux,
n’est-elle pas alors distraite en d’autres choses?
qui sait? Pendant qu’ici pour moi lents et moroses
coulent les jours, ainsi qu’un fleuve au bord flétri,
peut-être que sa lèvre innocente a souri?
peut-être qu’elle est très joyeuse et qu’elle oublie?
et je relis sa lettre avec mélancolie.

(Paul Verlaine)