anjo da guarda…

solidão que outros miram com desprezo,
silêncio que aos demais aflige tanto,
um pensamento na vigília aceso,

um coração que não deseja nada,
– esse é o meu mundo a que chegas, onde a vida
só do sonho de ser é sustentada.

debruço-me e não vejo de que parte
podes ter vindo, nem por que motivo.
e a coragem perdi de perguntar-te.

deixo-te isento. não serás cativo
de quem não quer te ver no cativeiro
de enigmas em que voluntária vivo.

mas não partes; que, cego e sem memória,
por instinto conheces teu caminho
e vens e ESTÁS, alheio à tua história.

e és como estrela, em séculos movida
que num lugar do céu foi colocada
por um simetria não sabida.

(Cecília Meirelles)

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