Archive for April, 2007

heine again…

Posted in from the heart..., heinrich heine, poetry on April 29, 2007 by gilrang

volto aqui a heinerich heine….

ich glaub nicht an den Himmel
ich glaub nicht an den Himmel,
wovon das Pfäfflein spricht;
ich glaub nur an dein Auge,
das ist mein Himmelslicht.

ich glaub nicht an den Herrgott,
wovon das Pfäfflein spricht;
ich glaub nur an dein Herze,
‘nen andern Gott hab ich nicht.

ich glaub nicht an den Bösen,
an Höll und Höllenschmerz;
ich glaub nur an dein Auge,
und an dein böses Herz.

(Heinerich Heine, Nachgelesene Gedichte 1812-1827)

(i don’t believe in heaven,
whose peace the preacher cites:
i only trust your eyes now,
they’re my heavenly lights.

i don’t believe in god above,
who gets the preacher’s nod:
i only trust your heart now,
and have no other god.

i don’t believe in devils,
in hell or hell’s black art:
i only trust your eyes now,
and your devil’s heart.) 

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onde…

Posted in from the heart..., poetry, zila mamede on April 29, 2007 by gilrang

zila mamede

por algumas semanas, andei procurando uma poeta para introduzí-la aqui. encontrei várias. mas a que mais me chamou a atenção foi zila mamede, uma paraibana de nova palmeira. de seu último livro, aqui vai esse poema marcante:

onde
entre a ânsia
     e a distância
     onde me ocultar?

entre o medo
     e o multiapego
     onde me atirar?

entre a querência
     e a clarausência
     onde me morrer?

entre a razão
     e tal paixão
     onde me cumprir?

(Zila Mamede)

comemoração…

Posted in the inner soul on April 26, 2007 by gilrang

republico aqui um post que se tornou profético. aparentemente sem pretensões, ele acaba de ser confirmado. dedico-o a uma grande amiga, menina brilhante, que termina essa semana (cum laudæ) o seu MBA na Columbia University. o post original é de 29/Jan/2007.

a sonnet to integrate derivatives…
(a timeless response)

if these humble and crooked lines present
all thy regards, woes and sorrow,
in them we must feel the scent
of the poets of tomorrow…

to rhyme is all but gift,
to engender words ain’t prize,
words that’re meaningfullessly adrift
without an aim, or unwise…

but, lo, thou shall be
the poet of a new breed,
with numbers as thy seed.

the swaps, thou shall see,
will be thy perfect rhymes,
for Wall St., a million times…

william yeats…

Posted in from the heart..., poetry, william butler yeats on April 25, 2007 by gilrang

yeatswhen you are old

when you are old and grey and full of sleep,
and nodding by the fire, take down this book,
and slowly read, and dream of the soft look
your eyes had once, and of their shadows deep.

how many loved your moments of glad grace,
and loved your beauty with love, false or true?
but one man loved the pilgrim soul in you,
and loved the sorrows of your changing face;

and bending down beside the glowing bars,
murmur, a little sadly, how Love fled
and paced upon the mountains overhead
and hid his face amid a crowd of stars.

(William Butler Yeats)

antonio gonçalves dias – ii…

Posted in antonio gonçalves dias, from the heart..., poetry on April 23, 2007 by gilrang

Meu anjo, escuta!

Meu anjo, escuta: quando junto à noite
Perpassa a brisa pelo rosto teu,
Como suspiro que um menino exala;
Na voz da brisa quem murmura e fala
Brando queixume, que tão triste cala
No peito teu?
Sou eu, sou eu, sou eu!

Quando tu sentes lutuosa imagem
D’aflito pranto com sombrio véu,
Rasgado o peito por acerbas dores;
Quem murcha as flores
Do brando sonho? — Quem te pinta amores
Dum puro céu?
Sou eu, sou eu, sou eu!

Se alguém te acorda do celeste arroubo.
Na amenidade do silêncio teu,
Quando tua alma noutros mundos erra,
Se alguém descerra
Ao lado teu
Fraco suspiro que no peito encerra;
Sou eu, sou eu, sou eu!

Se alguém se aflige de te ver chorosa,
Se alguém se alegra co’um sorriso teu,
Se alguém suspira de te ver formosa
O mar e a terra a enamorar e o céu;
Se alguém definha
Por amor teu,
Sou eu, sou eu, sou eu!

(Antonio Gonçalves Dias)

antonio gonçalves dias – i…

Posted in antonio gonçalves dias, from the heart..., poetry on April 21, 2007 by gilrang

gonçalves dias

Ainda uma vez — Adeus

I
Enfim te vejo! — enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!

II
Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!

III
Louco, aflito, a saciar-me
D’agravar minha ferida,
Tomou-me tédio da vida,
Passos da morte senti;
Mas quase no passo extremo,
No último arcar da esp’rança,
Tu me vieste à lembrança:
Quis viver mais e vivi!

IV
Vivi; pois Deus me guardava
Para este lugar e hora!
Depois de tanto, senhora,
Ver-te e falar-te outra vez;
Rever-me em teu rosto amigo,
Pensar em quanto hei perdido,
E este pranto dolorido
Deixar correr a teus pés.

V
Mas que tens? Não me conheces?
De mim afastas teu rosto?
Pois tanto pôde o desgosto
Transformar o rosto meu?
Sei a aflição quanto pode,
Sei quanto ela desfigura,
E eu não vivi na ventura…
Olha-me bem, que sou eu!

VI
Nenhuma voz me diriges!…
Julgas-te acaso ofendida?
Deste-me amor, e a vida
Que me darias — bem sei;
Mas lembrem-te aqueles feros
Corações, que se meteram
Entre nós; e se venceram,
Mal sabes quanto lutei!

VII
Oh! se lutei! . . . mas devera
Expor-te em pública praça,
Como um alvo à populaça,
Um alvo aos dictérios seus!
Devera, podia acaso
Tal sacrifício aceitar-te
Para no cabo pagar-te,
Meus dias unindo aos teus?

VIII
Devera, sim; mas pensava,
Que de mim t’esquecerias,
Que, sem mim, alegres dias
T’esperavam; e em favor
De minhas preces, contava
Que o bom Deus me aceitaria
O meu quinhão de alegria
Pelo teu, quinhão de dor!

IX
Que me enganei, ora o vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime,
Não te esqueci, eu to juro:
Sacrifiquei meu futuro,
Vida e glória por te amar!

X
Tudo, tudo; e na miséria
Dum martírio prolongado,
Lento, cruel, disfarçado,
Que eu nem a ti confiei;
“Ela é feliz (me dizia)
“Seu descanso é obra minha.”
Negou-me a sorte mesquinha. . .
Perdoa, que me enganei!

XI
Tantos encantos me tinham,
Tanta ilusão me afagava
De noite, quando acordava,
De dia em sonhos talvez!
Tudo isso agora onde pára?
Onde a ilusão dos meus sonhos?
Tantos projetos risonhos,
Tudo esse engano desfez!

XII
Enganei-me!… — Horrendo caos
Nessas palavras se encerra,
Quando do engano, quem erra.
Não pode voltar atrás!
Amarga irrisão! reflete:
Quando eu gozar-te pudera,
Mártir quis ser, cuidei qu’era…
E um louco fui, nada mais!

XIII
Louco, julguei adornar-me
Com palmas d’alta virtude!
Que tinha eu bronco e rude
Co que se chama ideal?
O meu eras tu, não outro;
Stava em deixar minha vida
Correr por ti conduzida,
Pura, na ausência do mal.

XIV
Pensar eu que o teu destino
Ligado ao meu, outro fora,
Pensar que te vejo agora,
Por culpa minha, infeliz;
Pensar que a tua ventura
Deus ab eterno a fizera,
No meu caminho a pusera…
E eu! eu fui que a não quis!

XV
És doutro agora, e pr’a sempre!
Eu a mísero desterro
Volto, chorando o meu erro,
Quase descrendo dos céus!
Dói-te de mim, pois me encontras
Em tanta miséria posto,
Que a expressão deste desgosto
Será um crime ante Deus!

XVI
Dói-te de mim, que t’imploro
Perdão, a teus pés curvado;
Perdão!… de não ter ousado
Viver contente e feliz!
Perdão da minha miséria,
Da dor que me rala o peito,
E se do mal que te hei feito,
Também do mal que me fiz!

XVII
Adeus qu’eu parto, senhora;
Negou-me o fado inimigo
Passar a vida contigo,
Ter sepultura entre os meus;
Negou-me nesta hora extrema,
Por extrema despedida,
Ouvir-te a voz comovida
Soluçar um breve Adeus!

XVIII
Lerás porém algum dia
Meus versos d’alma arrancados,
D’amargo pranto banhados,
Com sangue escritos; — e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiade
Que chores, não de saudade,
Nem de amor, — de compaixão,

(Antonio Gonçalves Dias)

negrinho

Posted in erico verissimo, from the heart... on April 12, 2007 by gilrang

verissimoUm trecho comentado do livro O Tempo e o Vento, parte I, O Continente, vol.2, de Erico Verissimo (os comentários vão em itálico).

Noite de 26 de Junho de 1895.

No quarto do Sobrado, cercado por vários dias pelos homens do velho Bento Amaral, os meninos Toríbio e Rodrigo Cambará pedem a Fandango, capataz do Angico, para lhes contar uma história. Fandango se diz cansado, ao que Toríbio lhe observa:

– “Ué… Tu conta é com a boca, não com a perna. Tua boca também está cansada?”

Fandango, após regatear com os meninos, decide contar a história do Negrinho do Pastoreio.

“….

– ‘Conta!’ – insistem os meninos.

– ‘Está bem, xaroposos! Está bem.

Fandango recosta-se na cama e com a sua voz especial de contar casos, uma voz pausada de conversa ao pé do fogo, começa:

– ‘Era uma vez um estancieiro podre de rico e louco de tão malvado….´

….”

E Fandango conta a história entrecortada por complementos dos dois meninos que já a tinham ouvido dele muitas e muitas outras vezes. Vou omitir os detalhes, pois não são tão importantes assim, exceto a devoção que o Negrinho tinha pela Virgem. Conta-se, no Rio Grande do Sul, que, sempre que alguém perde algo, deve acender uma vela para o Negrinho levá-la para o altar da Virgem. Em troca, ele traz de volta o que se perdeu.

A história vai terminando, quando entra no quarto Maria Valéria, tia dos meninos, com a refeição da noite – gomos de laranja e farinha – o que restou depois de vários dias de cerco do Sobrado pelos maragatos.

“….. 

– ‘Venham comer’ – diz ela – ‘Laranja e farinha. Foi o que se pôde arranjar.’

– ‘Espera, madrinha’ – diz Rodrigo. – ‘O Fandango está contando a história do Negrinho.’

…..

– ‘Já estou no fim, dona.’

…..

– ‘E depois, Fandango?’ – pergunta Rodrigo.

…..

– ‘E ele anda por aí, Fandango?’ – pergunta Rodrigo.

– ‘Diz-que.’

Toríbio fica pensativo por um instante e depois indaga:

– ‘E essa história é de verdade ou de mentira?’

Fandango ergue-se devagarinho, respondendo:

– ‘É uma história linda, chiquito.’

Depois, dirigindo-se a Maria Valéria, murmura:

– ‘Acho que vou acender hoje uma vela pro Negrinho pra ele trazer de volta pra casa o meu neto que se perdeu nessa revolução.’ – Sorri. Fecha um olho. – ‘E pro afilhado da Virgem me devolver outras coisas, muitas outras coisas que tenho perdido nesta vida.’

….”

 verissimo´s signature

Não sei quanto ao leitor amigo, mas eu, que em alguns dias estarei em POA por um breve período, vou acender também uma vela pro Negrinho do Pastoreio, pois ultimamente eu também andei perdendo muita coisa em minha vida… Quem sabe ele acha e as traz de volta!…