esfinge…
tens no branco da face a palidez marmórea
das estátuas sem vida e dos corpos sem sangue,
e no aire do teu porte, suavemente langue,
há uma grande tristeza estranha e merencória…
faz noite na tua alma – e nessa noite existe
uma luz que se esvaia… um sombrio luar,
-clareando vagamente o teu mortiço olhar…
- velando a tua vida imensamente triste…
se perdeste um amor… se sofreste talvez,
não procures lembrar o que ficou distante
- o que o mundo roubou, e o destino desfez….
que mistério reténs?… Vem ser feliz comigo….
far-te-ei amar de novo, e hás de ver triunfante
meu amor apagando o teu amor antigo…
(J.G. de Araújo Jorge)