j.g. de araújo jorge – iv
Estrangeiro
I
E de repente estou no meio de falas, risos
E gestos
-da vida de antes e sempre conhecida-
como se fosse um estrangeiro…
Não entendo a alegria, não percebo as palavras
não respondo aos acenos,
não conheço ninguém.
Permaneço alheio, vazio
como o imigrante solitário, atordoado,
ao descer do navio…
Agora
em minha vida
me encontro sempre em terra desconhecida
quando não estás presente…
II
Estranho, como de repente
- o que era a minha vida, ou o que eu julgava que era ,-
não faz sentido mais…
Tenho a alma daquele imigrante em terra estranha
a carregar sozinho seus pensamentos
em meio a algazarra do cais…
III
Antes de ti
a vida era um velho roteiro, rotina
comum…
Agora, quando venho de teus braços
estou voltando do Paraíso…
E estou sempre chegando a lugar nenhum…
(J.G. de Araújo Jorge)