existe um lugar onde vou
buscar a memória de um tempo
em que eu encontrei
um pouco de alegria,
um pouco de felicidade…
é nesse lugar que eu posso
recordar os momentos
de intensa satisfação,
de uma amizade imorredoura,
de um sentimento indescritível…
lá, eu revejo a tua imagem
entre areias e montanhas,
entre folhas mortas e o mar,
sorrindo como uma menina,
tranquila como uma mulher…
a este lugar chamaste
the real me…
e, de fato, tu lá estás em verdade,
pois foi lá que te conheci inteira,
foi lá que aprendi o teu rosto…
agora, que não nos vemos mais
com a intensidade daquele tempo,
sempre vou até lá te olhar,
para lembrar do que me deste,
para lembrar daquela felicidade…
mesmo que os cantores sejam falsos como eu,
serão bonitas, não importa, são bonitas as canções…
mesmo miseráveis os poetas, os seus versos serão bons…
mesmo porque as notas eram surdas, quando um deus sonso e ladrão
fez das tripas a primeira lira que animou todos os sons…
e daí nasceram as baladas e os arroubos de bandidos, como eu,
cantando assim: você nasceu para mim! você nasceu para mim!
mesmo que você feche os ouvidos e as janelas do vestido,
minha musa, vai cair em tentação,
mesmo porque estou falando grego com sua imaginação…
mesmo que você fuja de mim por labirintos e alçapões,
saiba que os poetas, como os cegos, podem ver na escuridão…
e eis que, menos sábios do que antes, os seus lábios ofegantes
hão de se entregar assim: me leve até o fim! me leve até o fim!
mesmo que os romances sejam falsos como o nosso,
são bonitas, não importa, são bonitas as canções…
mesmo sendo errados os amantes, seus amores serão bons…
este post foi publicado em 2007 e eu nem lembrava mais dele quando um comentário veio reavivá-lo… decidi, então, republicá-lo. aqui vai…
fábula antiga
no principio do mundo o Amor não era cego;
via mesmo através da escuridão cerrada
com pupilas de Lynce em olhos de Morcego.
mas um dia, brincando, a Demência, irritada,
num ímpeto de fúria, os seus olhos vazou;
foi a Demência logo às feras condemnada.
mas Júpiter, sorrindo, a pena commutou.
a Demência ficou apenas obrigada
a acompanhar o Amor, visto que ella o cegou,
como um pobre que leva um cego pela estrada.
unidos, desde então, por invisiveis laços,
quando o Amor emprehende a mais simples jornada,
vae a Demência adeante a conduzir-lhe os passos.
i get along without you very well,
of course I do…
except when soft rains fall
and drip from leaves, then i recall
the thrill of being sheltered in your arms,
of course, i do,
but i get along without you very well…
i’ve forgotten you just like i should,
of course i have…
except to hear your name,
or someone’s laugh that is the same,
but i’ve forgotten you just like i should…
what a guy!… what a fool am i!…
to think my breaking heart could kid the moon
what’s in store? should i phone once more?
no, it’s best that i stick to my tune…
i get along without you very well,
of course i do…
except, perhaps, in spring,
but i should never think of spring,
for that would surely break my heart in two…
chegou a vez de falar de um novo poeta de cymru, região situada a sudoeste do reino unido também conhecida como país de gales. dafydd john pritchard e a poesia galêsa me foram apresentados recentemente e voces verão algumas destas novas descobertas em breve. pritchard foi criado em nant peris, arfon, e é poeta conhecido em seu país. o poema e a tradução seguem abaixo.
Y gantores jazz
Mae teid sy’n llawn o seidar,
a sŵn y byd sy’n y bar;
criwiau unnos yn cronni
a’u gwg rhwng y mwg a mi,
criwiau byddar llawn siarad
yn mynnu iaith i’w mwynhad.
Ond o’r llwyfan bychan bach
daw alaw sy’n dawelach
na stŵr y siarad cwrw,
daw ’na iaith i’w datod nhw.
Anadl o iaith, a merch dlos
drwy’r mwg a’r drymiau agos
yn un syndod o nodau’n
gwaedu cân â’i llygaid cau.
Mae’i gwallt yn hir gan hiraeth,
nodau’r hwyr yn don ar draeth,
a gwedd wen ei gwddw hi
yn dristwch ewyn drosti;
sŵn graean lond ei chanu
a marw dau’n y môr du.
I mi, er hyn, y mae’r haf
dan haul y nodyn olaf.
(Dafydd John Pritchard)
the jazz singers
a tide brimming with cider
noise of the world nestles in the bar
one-night crowds gathering
their frowns twixt the smoke and i
deaf crowds full of talk
insisting a language to their pleasure.
but from the tiny stage
comes a melody that’s quieter
than the braying of the beer crew,
comes a language to unravel them.
a breath of language, a pretty girl
through the smoke and the drums
one wonder of notes
bleeding song with eyes closed.
her hair is long with longing,
notes are waves on the sand,
the pale yoke of her throat
a sad foam over her;
gravel sound fills her song
of two deaths in the black sea.
to me, despite this, the summer
lies beneath the sun of her song.
je suis comme le roi d’un pays pluvieux,
riche, mais impuissant, jeune et pourtant très vieux,
qui, de ses précepteurs méprisant les courbettes,
s’ennuie avec ses chiens comme avec d’autres bêtes.
rien ne peut l’égayer, ni gibier, ni faucon,
ni son peuple mourant en face du balcon.
du bouffon favori la grotesque ballade
ne distrait plus le front de ce cruel malade ;
son lit fleurdelisé se transforme en tombeau,
et les dames d’atour, pour qui tout prince est beau,
ne savent plus trouver d’impudique toilette
pour tirer un souris de ce jeune squelette.
le savant qui lui fait de l’or n’a jamais pu
de son être extirper l’élément corrompu,
et dans ces bains de sang qui des romains nous viennent,
et dont sur leurs vieux jours les puissants se souviennent,
il n’a su réchauffer ce cadavre hébété
où coule au lieu de sang l’eau verte du léthé.
first blessing always remember to forget
the things that made you sad.
but never forget to remember
the things that made you glad.
always remember to forget
the friends that proved untrue.
but never forget to remember
those that have stuck by you.
always remember to forget
the troubles that passed away.
but never forget to remember
the blessings that come each day.
second blessing may your neighbors respect you,
trouble neglect you,
the angels protect you,
and heaven accept you.
third blessing may you always have work for your hands to do.
may your pockets hold always a coin or two.
may the sun shine bright on your windowpane.
may the rainbow be certain to follow each rain.
may the hand of a friend always be near you.
and may God fill your heart with gladness to cheer you.
nos prendemos à literatura ocidental e perdemos muito do que a literatura oriental nos tem a oferecer. foi a garimpar a internet que eu achei kedarnath singh, poeta considerado dos mais importantes da poesia hindu contemporânea, segundo arundhathi subramaniam, ela mesma uma poeta das mais conhecidas na india.
sing nasceu em chakia, uttar pradesh, no distrito de ballia, norte da india, no ano de 1934. estudou na benaras hindu university onde ele recebeu dois altos títulos acadêmicos. foi professor em universidades da india e se aposentou em 1999. publicou sete livros de poesia e vários em prosa. sua linguagem tenta traduzir uma dimensão indiana, embora moderna. a tradução a seguir é de alok bhalla.
come when you find the time come
when you find the time.
come
even if you can’t find the time.
come
like the strength
in hands,
like blood
flowing through arteries.
come
like the slow silent
flames
in stoves.
come.
come
like the fresh thorns
in babul trees
after the rains.
aqueles que apreciam uma boa leitura … nã-nã-não!… aqueles que são fissurados em uma boa leitura…. melhor… aqueles trocam o seu reino por um bom livro irão se deliciar com o skoob, um sítio em que o cidadão pode se cadastrar e, assim, verificar como andam as opiniões sobre livros que deseja ler (se isto influenciar muito, não é?), identificar pessoas com preferências literárias parecidas com as suas e com elas trocar idéias, cadastrar livros que leu, ou, se for o caso, selecioná-los de uma lista disponível no próprio sítio, discutir novos lançamentos, etc.. enfim, uma rede literária, nos moldes das redes sociais do tipo orkut, facebook e outras, mas voltadas para a leitura.
o skoob (os mais atentos terão enxergado a palavra books escrita de trás para frente) é uma rede criada por um brasileiro que usou seu cérebro para aproximar as pessoas e não para usar de subterfúgios para enganá-las. no blog, voces encontrarão diversas referências a reportagens eletrônicas que já saíram com a divulgação dos detalhes da criação do sítio.
bom, eu já estou por lá… ainda não registrei todos os meus livros, mas em breve arranjarei algum tempo para fazê-lo. aguardo a sua visita.
agenor de oliveira nasceu no rio de janeiro, em out/1908, no bairro do catete. sua infância, ele a passou nas laranjeiras, mas a vida dura obrigou a família numerosa a se mudar para o morro da mangueira, uma das primeiras estações de trens da estrada de ferro central do brasil. agenor ficou mais conhecido na música como cartola, dono de sambas inesquecíveis e antológicos. cartola fundou, no início dos anos 20, o o bloco dos arengueiros, o qual, em 1928, deu origem à atual Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira e só por este fato ele já se tornaria lendário. mas cartola não parou por aí. compositor de alma simples, porém de riquezas musical e melódica impressionantes, deixou-nos vários sambas que se perpetuam pela grandiosidade dos versos, logo ele, semi-analfabeto. suas músicas foram compostas com outros bambas do samba. suas músicas possuem um ritmo menos cadenciado, como o blues se destacou do jazz.
agenor namorou zica e o tempo encarregou-se de separá-los. casou com outra mulher que veio a falecer. ele, então, reencontrou d.zica, com quem viveu até sua morte, em nov/1980. neste samba, ele explica que teve um grande amor, mas que ele não diminuiu o amor que sentia por ela.
tive, sim,
outro grande amor antes do teu,
tive sim,
o que ela sonhava eram os meus sonhos
e assim íamos vivendo em paz…
nosso lar,
em nosso lar sempre houve alegria,
eu vivia tão contente,
como contente ao teu lado estou…
tive, sim,
mas comparar com teu amor
seria o fim
e vou calar,
pois não pretendo, amor,
te magoar…
pois não pretendo, amor,
te magoar…