recebi do jorge alberto a incumbência de citar cinco de meus autores preferidos e indicar cinco blogs para que seus proprietários também o façam. para aqueles que já se habituaram a esse tipo de homenagem-tarefa, é fácil identificar o même. em virtude de uma aguda falta de tempo (tenho que tentar escrever nos fins de semana), farei o seguinte, jorge: a cada fim de semana eu cobrirei um autor. não ficou claro, no même se os autores seriam nacionais (pelo menos, a informação não foi por mim percebida). admito que sim. portanto, começo hoje com lima barreto.
afonso henriques lima barreto nasceu na cidade de são sebastião do rio de janeiro (ssrj), em 13 de maio do ano de 1881, exatamente sete anos antes da lei áurea. filho de pai nascido escravo e mãe filha de escravos, lima barreto era um mulato que sempre foi discriminado por sua origem. fez seus estudos no colégio pedro II. em 1897, entrou para o curso de engenhaira na escola politécnica, ainda no rio. em 1902, foi obrigado a abandonar o curso por circunstâncias familiares (o pai enlouquecera). empregou-se no ministério da guerra para ajudar no sustento dos irmãos. desde então, entregou-se ao álcool como uma fuga ao tratamento que lhe dispensava a sociedade. começou suas colaborações à imprensa em 1902, mas somente em 1905 conseguiu algo mais importante, escrevendo n´O Correio da Manhã.
suas principais obras são:
romances
. recordações do escrivão isaías caminha (1909);
. o triste fim de policarpo quaresma (1915);
. numa e a ninfa (1915);
. vida e morte de m. j. gonzaga de sá (1919);
. clara dos anjos (1948).
sátiras
. os bruzundangas (1923);
. coisas do reino do jambom (1953).
contos
. histórias e sonhos (1920);
. outras histórias e contos argelinos (1952).
artigos e crônicas
. bagatelas (1923);
. feiras e mafuás (1953);
. marginália (1953;
. vida urbana (1953).
outros
. diário íntimo (memória) (1953);
. o cemitério dos vivos (memória) (1953);
. impressões de leitura (crítica) (1956);
. correspondência ativa e passiva (1956).
foi um crítico ferino da sociedade da época. suas obras retratam os costumes do rio do início do século xx. entre elas, o triste fim de policarpo quaresma figura em lugar de destaque na literatura brasileira.
a seguir, um trecho do conto o homem que sabia javanês.
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o diretor chamou os chefes de seção: “vejam só, um homem que sabe javanês — que portento!”
os chefes da seção levaram-me aos oficiais e amanuenses e houve um destes que me olhou mais com ódio do que com inveja ou admiração. e todos diziam: “então sabe javanês? é difícil? não há quem o saiba aqui!”
o tal amanuense, que me olhou com ódio, acudiu então: “é verdade, mas eu sei canaque. o senhor sabe?” disse-lhe que não e fui à presença do ministro.
a alta autoridade levantou-se, pôs as mãos às cadeiras, consertou o pince-nez no nariz e perguntou: “então, sabe javanês?” respondi-lhe que sim; e, à sua pergunta onde o tinha aprendido, contei-lhe a história do tal pai javanês. “bem, disse-me o ministro “o senhor não deve ir para a diplomacia; o seu físico não se presta… o bom seria um consulado na ásia ou oceania. por ora, não há vaga, mas vou fazer uma reforma e o senhor entrará. de hoje em diante, porém, fica adido ao meu ministério e quero que, para o ano, parta para bâle, onde vai representar o brasil no congresso de lingüística. estude, leia o hove-iacque, o max müller, e outros!”
imagina tu que eu até aí nada sabia de javanês, mas estava empregado e iria representar o brasil em um congresso de sábios.
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