um urso de óculos…

Posted in from the heart... on May 14, 2008 by gilrang

há algum tempo atrás, deparei-me, no wordpress, com um título de blog curioso: the spectacled bear. um urso de óculos? sim, leitores, um urso de óculos. lá, encontrei posts em inglês sobre literatura brasileira e traduções de livros em português para o inglês. até que, um dia, aventurei-me num comentário. a resposta veio em seguida com a visita da dona do urso no meu blog. desde então, visitamo-nos quase sempre e o blog está entre as minhas leituras diárias, como voces vêem aí ao lado…

o urso de óculos é um blog bissexto, isto é, não é um desses que é atualizado frequentemente. mas, sempre que sua proprietária nos apresenta um post é de bom gosto e é um enorme prazer lê-lo. essa frequência errática se deve ao fato de que a dona do urso, pessoa extremamente afável, natural de uma grande ilha às margens da costa francesa, é muito atarefada, pois é proprietária de uma livraria que tem o mesmo nome do blog, mas traduzido para o português.urso de óculos

a todos os leitores, recomendo uma visita ao urso de óculos. lá voces encontrarão, em inglês e em português, informações de como chegar lá, algumas ofertas e tudo o mais. o interessante da livraria é que sempre existe um concurso com prêmios.

ah! um aviso: a livraria urso de óculos fica na cidade de itacaré, no sul da bahia. um pouco longe para alguns, mas, quem disse que não se pode um dia querer visitá-la em pessoa?

all the things you are…

Posted in artie shaw, from the heart..., poetry on April 21, 2008 by gilrang

time and again i’ve longed for adventure,
something to make my heart beat the faster.
what did i long for? i never really knew.
finding your love i’ve found my adventure,
touching your hand, my heart beats the faster,
all that i want in all of this world is you.

you are the promised kiss of springtime
that makes the lonely winter seem long.
you are the breathless hush of evening
that trembles on the brink of a lovely song.

you are the angel glow that lights a star,
the dearest things i know are what you are.
some day my happy arms will hold you
and some day i’ll know that moment divine,
when all the things you are, are mine!

(Artie Shaw)

Cora Coralina

Posted in cora coralina on April 20, 2008 by Liquidus

Eu Voltarei
Cora Coralina

Meu companheiro de vida será um homem corajoso de trabalho,
servidor do próximo,
honesto e simples, de pensamentos limpos.

Seremos padeiros e teremos padarias.
Muitos filhos à nossa volta.
Cada nascer de um filho
será marcado com o plantio de uma árvore simbólica.
A árvore de Paulo, a árvore de Manoel,
a árvore de Ruth, a árvore de Roseta.

Seremos alegres e estaremos sempre a cantar.
Nossas panificadoras terão feixes de trigo enfeitando suas portas,
teremos uma fazenda e um Horto Florestal.
Plantaremos o mogno, o jacarandá,
o pau-ferro, o pau-brasil, a aroeira, o cedro.
Plantarei árvores para as gerações futuras.

Meus filhos plantarão o trigo e o milho, e serão padeiros.
Terão moinhos e serrarias e panificadoras.
Deixarei no mundo uma vasta descendência de homens
e mulheres, ligados profundamente
ao trabalho e à terra que os ensinarei a amar.

E eu morrerei tranqüilamente dentro de um campo de trigo ou
milharal, ouvindo ao longe o cântico alegre dos ceifeiros.
Eu voltarei…
A pedra do meu túmulo
será enfeitada de espigas de trigo
e cereais quebrados
minha oferta póstuma às formigas
que têm suas casinhas subterrâneas
e aos pássaros cantores
que têm seus ninhos nas altas e floridas
frondes.

Eu voltarei…

à la claire fontaine…

Posted in from the heart... on April 15, 2008 by gilrang

à la claire fontaine é uma canção infantil de extrema beleza. acredito que voces irão apreciar…


(cenas finais do filme the painted veil, baseado em uma novela de w. somerset maughan)

à la claire fontaine,
m’en allant promener,
j’ai trouvé l’eau si belle
que je m’y suis baigné…

il-y-a longtemps que je t’aime,
jamais je ne t’oublierai…

sous les feuilles d’un chêne,
je me suis fait sécher,
sur la plus haute branche,
un rossignol chantait…

il-y-a longtemps que je t’aime,
jamais je ne t’oublierai…

chante rossignol, chante,
toi qui as le cœur gai,
tu as le cœur à rire,
moi je l’ai à pleurer…

il-y-a longtemps que je t’aime,
jamais je ne t’oublierai…

j’ai perdu mon amie,
sans l’avoir mérité,
pour un bouquet de roses
que je lui refusais…

il-y-a longtemps que je t’aime,
jamais je ne t’oublierai…

je voudrais que la rose
fût encore au rosier
et que ma douce amie
fût encore à m’aimer…

il-y-a longtemps que je t’aime,
jamais je ne t’oublierai…

11 de abril…

Posted in from the heart... on April 14, 2008 by gilrang

muitas vezes somos supreendidos por alguma delicadeza de amigos. amigos são essas pessoas que nos prestam homenagens, mesmo quando estamos certos de não merecê-las. hoje é um dia desses. na verdade, quase ontem, pois escrevo já bem tarde, neste 14 de abril, para falar do prêmio 11 de abril, concedido a esse blog por minha dileta amiga suzy.

quando comecei esse blog, tive a sorte de encontrar algumas pessoas que foram fundamentais para que eu me dispusesse a continuá-lo. entre elas está AB, a.k.a., alkimistas do brasil, ou, mais recentemente, suzy tude. com seu estilo erudito, suas afirmações contundentes e precisas, em seu blog qualquer assunto é minuciosamente analisado sob a óptica da razão e a opinião dela sempre é clara, transparente, indispensável. suzy se tornou, por isto, um ponto de referência para aqueles que se desiludem a cada dia com os desmandos e arbitrariedades que nos cercam. e, por ser tão clara, precisa, contundente e transparente ela tem sido alvo de toda sorte de incompreensões e maldades que só a intolerância é capaz de perpetrar.

imaginem, então, voces, a minha surpresa, hoje, ao me deparar com a homenagem que d.suzy - aquela mesma d.suzy a quem admiro por suas idéias e pelo seu caráter - me presta em seu blog, após ter sido ela mesma homenageada com o prêmio 11 de abril. demorei a descobrir a homenagem a mim. talvez por ter estado muito ocupado durante todo o dia, só pude dar conta disto praticamente no final do dia. queria, pois, aqui, agradecer profundamente a suzy pela concessão deste prêmio que, insisto, penso ser imerecido diante dos demais homenageados.

não ao bloqueio do wordpress!!!….

Posted in politics with tags on April 12, 2008 by gilrang

vejam só que beleza é esse país!… um juiz, sem o menor conhecimento de informática, provavelmente querendo aparecer, determinou que um blog do wordpress fosse bloqueado. para fazer esse bloqueio, a abranet (associação brasileira de provedores de internet) informa que terá que bloquear TODOS os demais blogs que acessam o wordpress.

num país civilizado, o juiz, antes de tomar uma decisão estúpida como esta, faria uma consulta para saber se e como isso poderia ser feito. aqui, juiz não consulta quem quer que seja para vomitar suas decisões.

bom, mas ainda estamos em um país livre (por enquanto, mas já andam tomando providências para acabar com isso também), e uma comunidade logo surgiu. os que tiverem interesse em consultá-la, o endereço é

não ao bloqueio do wordpress

lá, voces poderão pegar alguns banners como este:

 

exorto todos aqueles que se sentem prejudicados por essa medida inconsequente, que compareçam ao blog da comunidade.
 

atualização
não deixem de ler maiores detalhes no global voices, cujo endereço é

http://www.globalvoicesonline.org/2008/04/12/brazil-bloggers-united-against-wordpress-ban/

 

literatura…

Posted in from the heart... with tags on April 6, 2008 by gilrang

Lima Barretorecebi do jorge alberto a incumbência de citar cinco de meus autores preferidos e indicar cinco blogs para que seus proprietários também o façam. para aqueles que já se habituaram a esse tipo de homenagem-tarefa, é fácil identificar o même. em virtude de uma aguda falta de tempo (tenho que tentar escrever nos fins de semana), farei o seguinte, jorge: a cada fim de semana eu cobrirei um autor. não ficou claro, no même se os autores seriam nacionais (pelo menos, a informação não foi por mim percebida). admito que sim. portanto, começo hoje com lima barreto.

afonso henriques lima barreto nasceu na cidade de são sebastião do rio de janeiro (ssrj), em 13 de maio do ano de 1881, exatamente sete anos antes da lei áurea. filho de pai nascido escravo e mãe filha de escravos, lima barreto era um mulato que sempre foi discriminado por sua origem. fez seus estudos no colégio pedro II. em 1897, entrou para o curso de engenhaira na escola politécnica, ainda no rio. em 1902, foi obrigado a abandonar o curso por circunstâncias familiares (o pai enlouquecera). empregou-se no ministério da guerra para ajudar no sustento dos irmãos. desde então, entregou-se ao álcool como uma fuga ao tratamento que lhe dispensava a sociedade. começou suas colaborações à imprensa em 1902, mas somente em 1905 conseguiu algo mais importante, escrevendo n´O Correio da Manhã.

suas principais obras são:
romances
. recordações do escrivão isaías caminha (1909);
. o triste fim de policarpo quaresma (1915);
. numa e a ninfa (1915);
. vida e morte de m. j. gonzaga de sá (1919);
. clara dos anjos (1948).

sátiras
. os bruzundangas (1923);
. coisas do reino do jambom (1953).

contos
. histórias e sonhos (1920);
. outras histórias e contos argelinos (1952).

artigos e crônicas
. bagatelas (1923);
. feiras e mafuás (1953);
. marginália (1953;
. vida urbana (1953).

outros
. diário íntimo (memória) (1953);
. o cemitério dos vivos (memória) (1953);
. impressões de leitura (crítica) (1956);
. correspondência ativa e passiva (1956).

foi um crítico ferino da sociedade da época. suas obras retratam os costumes do rio do início do século xx. entre elas, o triste fim de policarpo quaresma figura em lugar de destaque na literatura brasileira.

a seguir, um trecho do conto o homem que sabia javanês.

….
o diretor chamou os chefes de seção: “vejam só, um homem que sabe javanêsque portento!”

os chefes da seção levaram-me aos oficiais e amanuenses e houve um destes que me olhou mais com ódio do que com inveja ou admiração. e todos diziam: “então sabe javanês? é difícil? não há quem o saiba aqui!”

o tal amanuense, que me olhou com ódio, acudiu então: “é verdade, mas eu sei canaque. o senhor sabe?” disse-lhe que não e fui à presença do ministro.

a alta autoridade levantou-se, pôs as mãos às cadeiras, consertou o pince-nez no nariz e perguntou: “então, sabe javanês?” respondi-lhe que sim; e, à sua pergunta onde o tinha aprendido, contei-lhe a história do tal pai javanês. “bem, disse-me o ministro “o senhor não deve ir para a diplomacia; o seu físico não se prestao bom seria um consulado na ásia ou oceania. por ora, não há vaga, mas vou fazer uma reforma e o senhor entrará. de hoje em diante, porém, fica adido ao meu ministério e quero que, para o ano, parta para bâle, onde vai representar o brasil no congresso de lingüística. estude, leia o hove-iacque, o max müller, e outros!”

imagina tu que eu até aí nada sabia de javanês, mas estava empregado e iria representar o brasil em um congresso de sábios.
….

fraqueza…

Posted in from the heart..., j.g. de araújo jorge, poetry on March 26, 2008 by gilrang

espero-te… e sei bem que eu só que te espero…
aqui me tens… constante e eterna é a expectativa!
por que hei de ser assim sempre ingênuo e sincero
por mais que experiência eu tenha, e a vida eu viva?

chegarás… e terás uma resposta esquiva
ao que te perguntar… e eu que tanto te quero
renderei novamente a minha alma cativa,
enquanto sorrirás feliz… e eu desespero…

há um imenso poder nessa tua humildade,
e esse teu ar de mansa ternura e meiguice
estraçalha aos teus pés toda a minha vontade…

que fazer? hei de sempre perdoar o que fazes…
e se choras, nem sei… esquecendo o que disse,
sou eu que enxugo o pranto e ainda proponho as pazes!

(J.G. de Araújo Jorge)

esfinge…

Posted in from the heart..., j.g. de araújo jorge, poetry on March 26, 2008 by gilrang

tens no branco da face a palidez marmórea
das estátuas sem vida e dos corpos sem sangue,
e no aire do teu porte, suavemente langue,
há uma grande tristeza estranha e merencória…

faz noite na tua alma - e nessa noite existe
uma luz que se esvaia… um sombrio luar,
-clareando vagamente o teu mortiço olhar…
- velando a tua vida imensamente triste…

se perdeste um amor… se sofreste talvez,
não procures lembrar o que ficou distante
- o que o mundo roubou, e o destino desfez….

que mistério reténs?… Vem ser feliz comigo….
far-te-ei amar de novo, e hás de ver triunfante
meu amor apagando o teu amor antigo…

(J.G. de Araújo Jorge)

i loved you once in silence…

Posted in alan jay lerner, frederic loewe, from the heart... on March 20, 2008 by gilrang

cameloto castelo de camelot, em Idílios do rei, Gustave Doré (1866)

segundo a lenda, camelot foi um castelo em uma terra encantada, onde habitavam o rei arthur e seus cavaleiros da távola redonda. arthur era invencível, pois tinha a seu lado, além dos intrépidos cavaleiros, o mago merlin que o auxiliava na administração do reino. camelot se tornou, desde então, um ideal de bravura, justeza e virtude.

tanta felicidade assim, certamente que despertou a inveja e a cobiça de alguns, mas todos os que tentaram subtrair camelot de seu rei foram derrotados. um certo dia, passando pelo castelo, o cavaleiro francês lancelot du lac mostrou-se um valoroso guerreiro, derrotando, um a um, os cavaleiros da távola, logo juntando-se a eles para derrotar os inimigos do rei. arthur tornou-se tão grato a lancelot que o indicou como cavaleiro do reino, dando-lhe o título de sir, e como protetor de guenevére, a rainha. lógico que o relacionamento mais próximo de arthur e guenevére com sir lancelot se tornou motivo de ciúmes por parte dos demais cavaleiros da távola. e essa mesma proximidade de guenevére e lancelot fez com que os dois tombassem diante de um sentimento maior que surgiu entre eles.

na peça de teatro intitulada camelot (1960), escrita por alan jay lerner e frederic loewe, a revelação do sentimento entre guenevére e lancelot se faz completa durante a música i loved you once in silence. o que se ouve é que ambos se mostram surpresos e aliviados pela descoberta da atração mútua e, ao mesmo tempo, angustiados pela devoção, também mútua, que ambos têm por arthur.

no vídeo abaixo, a atriz jennifer hope, interpretando guenevére, e o ator chris leidenfrost, no papel de sir lancelot du lac, representam a parte do segundo ato da peça em que ocorre tal revelação cercada pela angústia…

i loved you once in silence
and misery was all i knew,
trying so to keep my love from showing,
all the while not knowing you loved me too…

yes, you loved me in lonesome silence,
your heart filled with dark despair,
knowing love would flame in you forever
and i’d never, never know the flame was there…

then, one day, we cast away our secret longing,
the raging tide we held inside would hold no more…

the silence at last was broken,
we flung wide our prison door,
every joyous word of love was spoken
and now there’s twice as much grief,
twice the strain for us,
twice the despair,
twice the pain for us,
as we had known before…

(Alan Jay Lerner & Frederic Loewe)

stardust….

Posted in hoagy carmichael, mitchell parish, nat king cole on March 10, 2008 by gilrang

nat king cole tornou essa linda canção conhecida. ei-lo aqui interpretando-a magistralmente.

and now the purple dusk of twilight time
steals across the meadows of my heart,
high up in the sky the little stars climb,
always reminding me that were apart…

you wander down the lane and far away,
leaving me a song that will not die…
love is now the stardust of yesterday,
the music of the years gone by…

sometimes, i wonder why i spend
the lonely night dreaming of a song,
the melody haunts my reverie
and i am once again with you,
when our love was new
and each kiss an inspiration,
but that was long ago!…
now, my consolation
is in the stardust of a song…

beside a garden wall,
when stars are bright,
you are in my arms,
the nightingale tells his fairy tale,
a paradise where roses bloom
though i dream in vain,
in my heart it will remain
my stardust melody,
the memory of love´s refrain….

(Mitchell Parish & Hoagy Carmichael)

lembranças…

Posted in antoine de saint-exupéry, from the heart... on March 4, 2008 by gilrang

petit-prince.jpgquando eu disse outro dia que estamos fadados a nos repetir, eu não disse, porém, que a repetição se dá por falta de assunto, mas por que os assuntos são tantos e tão diversos que, vez por outra, algo nos faz lembrar de alguns deles. uns mais que os outros, naturalmente.

foi assim que lendo o blog obscured by clouds eu acabei me recordando de uma estória infantil que me foi contada em passado recente. aparentemente, a estória é despretensiosa, mas possui diálogos muito significativos. apresento, aqui, apenas uma dessas pequenas preciosidades, a qual me traz agradáveis recordações.

…..

what must I do, to tame you?” asked the little prince.you must be very patient,” replied the fox.

first you will sit down at a little distance from me–like that–in the grass. i shall look at you out of the corner of my eye, and you will say nothing. words are the source of misunderstandings. but you will sit a little closer to me, every day . . .

(Antoine de Saint-Exupéry)